Navios cargueiros ou de cruzeiros estão sofrendo atrasos ou tendo que parar,
forçadamente, em outros portos do país para abastecer.

Por Mariane Rossi

Navios cargueiros e de cruzeiros estão enfrentando dificuldades para abastecer por falta de bunker (óleo combustível) no Porto de Santos, o maior do Brasil. Várias embarcações estão sofrendo atrasos na programação ou tendo que parar, forçadamente, em outros portos do país para poder abastecer ou completar o tanque com o combustível necessário para seguir viagem.

O combustível utilizado no abastecimento dos navios que atracam no cais santista fica armazenado em tanques da Transpetro, em Santos e Cubatão. Barcaças são utilizadas para o transporte dos produtos até os navios. Os armadores ou agentes de navegação devem fazer uma solicitação à Transpetro com antecedência.

O problema relacionado ao fornecimento de combustíveis começou em outubro. A situação melhorou, mas voltou a piorar em dezembro. Os agentes marítimos dizem que a Petrobras está reduzindo as quantidades de abastecimento em Santos e, em outros casos, orienta que o navio escale em outro porto como no Rio de Janeiro, Salvador e Rio Grande, para ser reabastecido.

“Navios cargueiros e cruzeiros pedem 800 toneladas e eles só dão 200. Eles mandam abastecer em outro porto. Isso implica em abertura de escalas do navio, as escalas de bunker. A medida que tem uma escala extra têm despesas adicionais, custos práticos, rebocadores e atracação. Esse prejuízo não tem como recuperar”, explicou o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque.

Os navios que não fazem escalas em outros portos nacionais, e seguem para outros países, são os mais afetados. Caso não haja combustível, há a possibilidade de permanecer no terminal e aguardar. Porém, isso se torna inviável diante da programação operacional do terminal. Se precisarem fazer escalas imprevistas nos portos nacionais, além de mudar a rota, terão altos gastos adicionais.

“Navio que carregam commodities, quando terminam a operação, como estão em terminais privados não podem continuar atracados ou prejudicam o terminal. Na maioria das vezes, tem que desatracar e vai para outro terminal só para abastecer. No ano passado foram recorrentes os atrasos no fornecimento”, disse Roque.

De acordo com informações obtidas pelo Sindamar, pelo menos quatro navios de carga atracados no Porto de Santos em dezembro tiveram problemas por falta de combustível. Quando solicitado, a Petrobras informou indisponibilidade e o abastecimento foi transferido para o Rio de Janeiro ou para o Rio Grande.

Os navios de cruzeiros também estão sendo atingidos. Os armadores solicitaram o aumento de bunker, porém, o pedido foi rejeitado pela Petrobras. Em outras circunstâncias, a Petrobras informou a indisponibilidade para a quantidade solicitada e ofereceu menos do que foi pedido.

Por conta dos problemas, a Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar) enviou um ofício a Petrobras em outubro. Porém, os problemas continuaram. Quando aumenta o número de navios para abastecimento enfrenta-se sempre atrasos e quando chega a temporada de navios de cruzeiros a situação piora.

“Hoje, o Porto de Santos tem a maior concentração de abastecimento. Eles não tem tancagem compatível com o Porto de Santos. O que a gente acha é que tem que acabar com esse monopólio”, afirmou Roque. O G1 entrou em contato com a Petrobras, mas até a publicação desta reportagem, a empresa não se posicionou sobre o assunto.

Fonte: G1 Santos – 03.01.2018

______________________________________

Reprodução de notícia publicada para conhecimento das Associadas