Trabalhadores avulsos criticam necessidade de intervalo de
11 horas entre jornadas, medida exigida em lei

Da Redação

A paralisação de cerca de 6 mil trabalhadores avulsos do Porto de Santos, desde a última segunda-feira, já causou prejuízos de cerca de US$ 500 mil, o equivalente a R$ 1,6 milhão. Pelo menos 11 navios terão de aguardar o retorno dos portuários para iniciar operações no cais santista.

Os avulsos protestam desde a manhã de segunda-feira contra o início da obrigatoriedade do descanso de 11 horas entre jornadas de trabalho no cais santista. Antes desta regra, eles costumavam emendar um serviço no outro ao serem chamados pelos terminais.

De acordo com o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), os maiores impactados são os navios ro-ro. “Com essa paralisação, a perda afeta todos os que atuam diretamente nessas operações inclusive os trabalhadores, além de ter impacto na arrecadação de tributos”, destacou o diretor-executivo da entidade, José Roque.

O navio Yu Xiang Hai está atracado no cais do Armazém 39 e aguarda o retorno da estiva para efetuar o rechego da carga e continuar a operação. Enquanto isso, o RGL First aguarda na Barra por uma janela de atracação. Já o cargueiro Huayang Sunrise está operando com recursos do terminal, um shiploader, já que os trabalhadores não atenderam ao chamado.

Segundo Roque, outros dois navios que farão a descarga de sal também ficaram inoperantes, o Forza, no cais do Armazém 15, e o Juno, no Armazém 22. O Grande Nigeria, que está atracado no Porto desde a noite de domingo, ainda aguarda o início da operação.

Já o navio Dahlia também atracou no domingo, no ponto 3 do Cais do Saboó, e aguarda para iniciar operações de embarque. O mesmo acontece com o cargueiro Durban Highway, que atracou no Terminal de Veículos (TEV), na Margem Esquerda (Guarujá) na última segunda-feira, pela manhã, e o Galaxy Leader, que aguarda a liberação do berço no mesmo terminal.

Ontem pela manhã, o navio Sirius Leader chegou à Barra de Santos. Ele aguarda a operação das duas embarcações para a operação no TEV. E, hoje, está prevista a chegada do Asian Emperor, que deverá esperar por, pelo menos, dois dias até atracar no terminal da Margem Esquerda (Guarujá).

“Os navios de contêineres, embora estejam com a operação lenta, ainda assim estão operando, o que reduz os prejuízos. Só terão que desenvolver maior velocidade e terão aumento do consumo de combustível para não perderem janela de atracação no porto subsequente”, destacou Roque.

Auditores fiscais

Além da paralisação dos trabalhadores portuários avulsos, os auditores ficais do Porto decidiram intensificar, até o próximo sábado, o movimento sindical da categoria. Com esse protesto, batizado como Maré Vermelha, grande parte das cargas de importação necessitam de conferência física, além da documental.

Fonte: Jornal “A Tribuna” – 04.04.2018 – Porto & Mar – pagina A-13

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